A floresta amazônica ganhará um novo cartão-postal: a Trilha Amazônia Atlântica, futuro maior percurso sinalizado da América Latina.
Com quase 460 quilômetros no litoral paraense, o trajeto chega à COP30 como vitrine de conservação, geração de renda comunitária e aventura para quem curte caminhar ou pedalar.
O projeto, capitaneado pelo Ministério do Meio Ambiente e da Mudança do Clima (MMA), promete atrair 10 mil visitantes já no primeiro ano de funcionamento completo, conectando quem vive nas cidades à natureza exuberante do bioma amazônico.
Além da experiência em campo, a iniciativa fortalece o ecoturismo brasileiro ao disputar espaço com rotas famosas do Peru, Equador e Colômbia, consolidando o Pará como destino sustentável de classe mundial.
Afinal, o que é a Trilha Amazônia Atlântica?
A Trilha Amazônia Atlântica é um corredor ecológico de 459,9 quilômetros estruturado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (IDEFLOR-Bio). A rota integra a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade (RedeTrilhas), política pública que busca ligar diferentes unidades de conservação e, ao mesmo tempo, criar oportunidades de lazer ao ar livre para a população.
Concebida para impactar o mínimo possível o ambiente, a trilha recebeu sinalização, mapas e orientações que permitem ao visitante percorrê-la de forma autoguiada. Todo o traçado também foi planejado para facilitar o deslocamento de animais silvestres entre fragmentos de floresta, reforçando a conectividade ecológica na região do Salgado Paraense.
Como é o percurso de 460 km
A aventura começa praticamente às portas de Belém e segue por paisagens que alternam floresta densa, manguezais, campinas, pequenos morros e áreas de transição costeira. Ao longo do caminho, o turista observa pores do sol famosos e conhece o dia a dia de extrativistas de caranguejo, pescadores, coletores de babaçu e agricultores familiares.
Sete unidades de conservação formam a espinha dorsal da Trilha Amazônia Atlântica:
- Reservas Extrativistas Marinhas Tracuateua, Caeté-Taperaçu, Araí-Peroba e Gurupi-Piriá;
- Área de Proteção Ambiental Belém;
- Refúgio de Vida Silvestre Metrópole da Amazônia;
- Parque Estadual do Utinga Camilo Vianna.
O roteiro atravessa ainda seis territórios quilombolas: Torres, América, Pitimandeua, Macapazinho (Castanhal), Santíssima Trindade e Macapazinho (Santa Isabel do Pará). Essa diversidade cultural soma-se aos atrativos naturais e transforma o percurso em um mergulho profundo na Amazônia Atlântica.
Comunidades ganham nova fonte de renda
Para Pedro Cunha e Menezes, diretor do Departamento de Áreas Protegidas do MMA, o projeto é “turismo de base comunitária na veia”. A trilha fortalece o sentimento de pertencimento entre populações tradicionais e, ao mesmo tempo, cria alternativa de emprego e renda que depende diretamente da conservação ambiental.
Julio Cesar Meyer, diretor da Trilha Amazônia Atlântica, lembra que o interesse dos moradores em estruturar melhor o turismo surgiu a partir de trechos já procurados por ciclistas. “Quando as pessoas percebem que preservar vale a pena economicamente, a recuperação de áreas degradadas ganha força”, explica.
Imagem: Internet
Expectativa de visitantes e apoio digital
A projeção do MMA é receber pelo menos 10 mil caminhantes ou ciclistas no primeiro ano de operação plena. Como o fluxo inclui estrangeiros, a meta é abocanhar parte do mercado hoje dominado por rotas andinas, inserindo o Pará no roteiro global de trilhas de longo curso.
Para facilitar o planejamento da viagem, o aplicativo eTrilhas lançou um hub específico da Trilha Amazônia Atlântica. No app, o visitante encontra prestadores de serviço cadastrados — hospedagem, alimentação, guias, transporte — e pode contatá-los diretamente. Um QR Code afixado em estabelecimentos locais abre a mesma vitrine de oportunidades, impulsionando microempreendedores da região.
Municípios presentes no roteiro
O traçado oficial passa por 17 municípios paraenses, oferecendo opções de entrada e saída em diferentes pontos, o que aumenta a flexibilidade do viajante:
- Belém
- Ananindeua
- Marituba
- Benevides
- Santa Isabel do Pará
- Castanhal
- Inhangapi
- São Francisco do Pará
- Igarapé-Açu
- Santa Maria do Pará
- Nova Timboteua
- Peixe-Boi
- Capanema
- Tracuateua
- Bragança
- Augusto Corrêa
- Viseu
Cada cidade oferece experiências distintas, de mercados de peixe a festas tradicionais, servindo como pontos de descanso e reabastecimento para quem encara a jornada completa.
Esforço coletivo garante sucesso
A maior trilha sinalizada da América Latina surgiu da união de comunidades, voluntários, MMA, Ministério do Turismo, Embratur, ICMBio, IDEFLOR-Bio e Conservação Internacional. Essa coalizão viabiliza capacitações, manutenção da sinalização e ações de monitoramento ambiental.
No Só Reservar, acreditamos que parcerias como essa reforçam a importância do turismo responsável. Quando governo, sociedade civil e moradores locais atuam em conjunto, os benefícios ultrapassam o lazer: conservam a biodiversidade, mantêm tradições vivas e geram desenvolvimento econômico sustentável.
Por que colocar a Trilha Amazônia Atlântica no seu radar?
A resposta combina aventura, cultura e conservação. Poucas rotas no mundo oferecem tamanha variação de ecossistemas em um mesmo percurso, sem falar na oportunidade de vivenciar quilombos, vilarejos ribeirinhos e culinária amazônica de raiz.
Seja para um fim de semana em um trecho curto ou para encarar os 460 quilômetros completos, a Trilha Amazônia Atlântica surge como convite irrecusável para quem busca turismo de natureza com impacto positivo — tendência que cresce a cada temporada.
Com lançamento marcado para a COP30, o percurso deve ganhar holofotes internacionais em breve. Prepare a mochila, ajuste a bike e coloque essa experiência inesquecível no seu roteiro de viagem.

